|
Mesmo realizada em dias de cenário econômico obscuro por conta da crise financeira nos Estados Unidos, a Expomac 2008 – 17ª Feira Sul Brasileira da Indústria Metal-Mecânica, que aconteceu de 24 a 27 de setembro, no Expotrade, em Pinhais / Curitiba (PR), foi marcada por excelentes negócios.
Entre as vendas realizadas no evento e aquelas que foram iniciadas para
conclusão nos meses seguintes, as 250 indústrias expositoras deverão
gerar volume de negócios de R$ 90 milhões, conforme levantamento da
Diretriz, organizadora da feira. Trinta e cinco mil pessoas visitaram a
Expomac, cinco mil a mais do que na última edição, em 2006.
A maior parte das vendas de máquinas e equipamentos aconteceu para
setores como o automobilístico, que, apesar da queda na venda de carros
novos em agosto de 15%, continua atualizando o parque fabril. “Tivemos
muita procura nessa área, o que nos ajudará a fechar cerca de R$ 2,5
milhões em vendas”, conta Márcio Campos, representante para Curitiba e
Sudoeste do Paraná da Deb’Maq, empresa paulista que vende
equipamentos pesados, como tornos e centros de usinagem. “Sem dúvida, a
indústria automobilística continua puxando muito não só as nossas
vendas, como também a de boa parte do setor metal-mecânico”, emenda
Alfredo Ferrari, diretor da paulista Ergomat, que espera contabilizar negócios de R$ 2 milhões com a Expomac.
A Ferramentas Gerais (FG), distribuidora com sede em Porto
Alegre, fechou nada menos que R$ 1,5 milhão em vendas. Com o
corpo-a-corpo realizado, estima-se que o número aumente em R$ 1 milhão
até dezembro. Os bons números, segundo Fernando Cordeiro, gerente de
vendas externas da unidade de Curitiba, estão ligados ao aquecimento de
alguns setores, como o de prestadores de serviço para montadoras, a
metalurgia e o agronegócio. No momento, ele diz não temer as últimas
variações cambiais, tendo em vista que algumas tabelas de preços para a
importação foram fixadas no início do ano. “Entretanto, se o dólar
continuar aumentando, irá afetar as negociações para 2009. Já está se
falando de um aumento de preço em torno de 40% nos produtos que
trazemos da China, por exemplo”, coloca.
Outras empresas que também dependem da importação, como a Fobrasa,
distribuidora com matriz em São Paulo, demonstram-se seguras quanto às
surpresas que o mercado pode vir a oferecer. A empresa, por uma questão
estratégica de desenvolvimento na região em que foi realizada a
Expomac, não repassou os custos oriundos da alta do dólar aos clientes.
De acordo com Mauricio Gonçalves, supervisor de vendas, como a Fobrasa
possui bases financeiras sólidas, ainda não está sentindo os efeitos
das alterações na variação cambial. “Mas, se houver alguma situação de
instabilidade futura, teremos que fazer algum ajuste nos preços”,
ressalta. Ele aponta que, independentemente do mercado externo, a
empresa quer crescer. “Temos uma expectativa futura muito boa. O Brasil
é um país em crescimento, que está nos gerando oportunidades muito
grandes”, diz.
Para a importadora de máquinas Meggaton, com matriz em São
Paulo, os resultados obtidos no evento foram muito positivos – nos
quatro dias de Expomac, seis equipamentos foram vendidos, totalizando
um montante de mais de R$ 1,75 milhão. “Muitos clientes deixaram
máquinas negociadas para fechamento no pós-feira. Acredito que
poderemos vender mais 12 equipamentos”, afirma João Luiz Poleselo,
diretor comercial.
Para o gerente comercial da Braffemam, fabricante em
Campo Largo (PR) de guilhotinas e prensas hidráulicas, os quase R$ 2
milhões que a indústria está fechando em virtude da feira se devem ao
fato da empresa estar um pouco “imune” aos percalços da economia. “Só
trabalhamos com matéria-prima nacional e, por isso, conseguimos manter
preços, prazo de entrega e assistência técnica diferenciados, que não
sofrem com os problemas de aumento ou baixa do dólar, por exemplo”,
explica o gerente comercial, Pablo Schellenberg.
Expomac ajuda a alcançar metas no Sul
Para a Iscar do Brasil, fabricante de ferramentas de corte
para usinagem de peças com sede em Vinhedo (SP), essa edição da Expomac
foi uma das melhores até agora. Isso porque, segundo Heraldo
Marcellaris, gerente regional de vendas no Sul, novos contatos foram
feitos, especialmente com o público do Paraná. “Para 2009, nossa meta é
obter 20% de crescimento no Sul, tanto em vendas quanto em volume de
produtos. Dividimos essa porcentagem pelos três estados, sendo que
temos que crescer mais no Paraná”, coloca. Ele afirma que participar da
feira auxiliará no cumprimento do planejamento da empresa: “Tendo novos
clientes, com certeza traçaremos perspectivas ainda maiores para o ano
que vem”.
A Perfimec S.A. – Centro de Serviços em Aço, de Curitiba
(PR), também destaca a importância da Expomac para o crescimento dos
negócios. A empresa, que pretende fechar 2008 com 40% de acréscimo no
faturamento, teve a oportunidade de fazer contato com diversos
clientes, principalmente de Santa Catarina. Danny João Berté,
presidente, conta que visitantes de São Paulo também compareceram ao
estande, mas para oferecer o fornecimento de seus equipamentos. “Dentro
da feira, nós inclusive fechamos a compra de uma guilhotina, para nossa
utilização na empresa”.
Outra expositor que acabou comprando equipamento na própria feira foi a Behrsul,
de Curitiba. “Vendemos uns US$ 200 mil em prensas hidráulicas, mas
compramos na feira uma máquina de US$ 170 mil dólares para melhorar a
nossa produtividade”, conta o diretor Mario Luiz. Segundo ele, a
atualização do parque fabril estava prevista para o ano que vem, mas
foi antecipada devido ao bom momento do mercado. “Deveremos fechar
2008 com aumento nas vendas em torno de 30%, pois o setor está
aquecido. Isso nos fez antecipar a compra de equipamentos para podermos
ser mais produtivos”, explica.
Público qualificado foi um dos destaques
Ao longo da história, a Expomac vem se consolidando com uma feira de
público altamente qualificado, com mais de 50% dos visitantes sendo
presidentes, diretores e gerentes de empresas. Na edição 2008, não foi
diferente. E a qualificação desse público, é, para os expositores, um
dos motivos dos bons resultados alcançados. “Recebemos pessoas
especializadas, com perguntas técnicas e realmente interessados nos
nossos produtos. Isso vai nos gerar algo perto de R$ 1 milhão em
negócios”, apontou Marcio A. Seguro, gerente para a Região Sul da Hexagon,
que tem sede em São Paulo e trabalha com sistemas de medição. “Havia no
público muita gente ligada à area, querendo saber questões técnicas dos
equipamentos. Agendamos visitas com eles e é bem provável que tenhamos
negócios”, completou Itamar Gama, promotor da Industécnica, de São
Paulo, que trabalha com elementos de fixação, morsas hidráulicas, entre
outros produtos.
Para Marcos Aurélio, gerente comercial da Unistamp, de Várzea
Paulista (SP), importadora e revendedora de guilhotinhas, dobradeiras,
entre outros equipamentos, chegou a ser surpeendente o resultado da
feira em função do público qualificado. “Pessoas focadas em produtos
nos fez vender logo no primeiro dia dez máquinas, sendo que
esperávamos, em toda a feira, não mais do que sete”, diz Marcos
Aurélio. Segundo ele, a feira vai contribuir para que as vendas totais
da empresa para o Paraná aumentem de 25% para 40%. “Fica assim por um
período pós-feira e depois recua, mas com certeza, o índice de 25% se
elevará um pouco”, explica.
|